Postado por Dra. Paula Vieira
O período que sucede à fertilização in vitro (FIV) costuma ser o mais intenso de todo o processo. Depois de consultas, exames, procedimentos e muitas expectativas, chega o momento da transferência embrionária e, com ele, uma espera que parece desacelerar o tempo. Essa fase, conhecida como two week wait, é marcada por esperança, ansiedade e uma combinação delicada entre o emocional e o racional. Cada dia parece carregar um peso maior do que o anterior.
Mas afinal, quantos dias depois da FIV é possível confirmar se houve gravidez? A resposta varia conforme o tipo de embrião transferido e o tempo que o organismo leva para iniciar a produção do hormônio beta hCG, substância que sinaliza o início da gestação.
Após a transferência, o embrião é depositado no interior do útero. Se o ambiente estiver adequado, ele começa a interagir com o endométrio em busca do local ideal para se fixar. Essa etapa, chamada de implantação, representa o início do diálogo entre o embrião e o corpo da mulher.
Quando transferimos blastocistos, embriões em torno de cinco dias de desenvolvimento, a implantação geralmente ocorre entre 1 e 3 dias após a transferência. Já nos embriões de três dias, esse processo pode levar entre 3 e 5 dias. Só depois da implantação o organismo passa a produzir o beta hCG, que ainda precisa atingir níveis detectáveis para ser identificado no exame de sangue.
O exame adequado para confirmar a gestação após a FIV é o beta hCG quantitativo, realizado por meio de uma coleta de sangue. Ele é o único método realmente seguro nessa fase.
De modo geral, recomenda-se realizar o exame:
12 dias após a transferência de blastocistos (D5)
14 dias após a transferência de embriões de três dias (D3)
Realizar o teste antes do prazo pode gerar falsas interpretações. Se o hormônio ainda estiver baixo, corre-se o risco de um falso negativo. Por outro lado, quando houve uso de medicação contendo hCG na indução da ovulação, um exame precoce pode acusar um falso positivo, refletindo apenas o efeito da medicação.
Por isso, seguir o protocolo indicado evita frustrações e garante um resultado confiável.
Durante a espera, é muito comum observar sensações como sensibilidade mamária, inchaço abdominal, cólicas, sonolência ou alterações de humor. Na maioria das vezes, essas manifestações são respostas aos hormônios do tratamento, especialmente progesterona e estradiol, e não sinais reais de gravidez.
Ao mesmo tempo, muitas mulheres não apresentam qualquer sintoma e ainda assim têm resultado positivo. Cada organismo reage à sua maneira, e nenhum sintoma isolado (ou sua ausência) confirma ou descarta a gestação. O exame de sangue é sempre o critério que realmente importa.
Embora externamente nada pareça acontecer, os primeiros dias pós-transferência são de intensa atividade biológica:
Primeiras 24 horas — o embrião continua seu desenvolvimento.
2º ao 3º dia — começa a interação com o endométrio.
4º ao 6º dia — ocorre a implantação.
Depois disso — inicia-se a produção do beta hCG, detectado cerca de duas semanas após a transferência.
Por isso, é essencial respeitar o tempo natural do corpo.
O beta hCG quantitativo mede com precisão a quantidade de hormônio no sangue. Em uma gestação em evolução, é esperado que os valores dobrem aproximadamente a cada 48 horas.
Em alguns casos, uma segunda coleta é solicitada para avaliar essa progressão. Quando os números sobem adequadamente, confirmamos que a gestação está evoluindo. Quando não dobram ou diminuem, investigamos situações como implantação tardia, gravidez química ou falha no desenvolvimento embrionário.
Após a transferência, o organismo precisa estar em condições ideais para permitir a implantação. Por isso, a suplementação com progesterona e estradiol é fundamental para manter o endométrio receptivo. Em alguns casos, outros medicamentos podem ser associados de forma personalizada.
Manter as medicações até o dia do exame é essencial. Interrupções precoces podem comprometer todo o processo.
A fase entre a transferência e o exame é uma das mais delicadas. O emocional oscila, o corpo é observado minuciosamente e as dúvidas se acumulam. Buscar atividades leves, evitar pesquisas excessivas na internet e manter uma rotina emocionalmente tranquila ajuda a atravessar esse período com mais serenidade.
Receber um beta hCG positivo é sempre um momento inesquecível. Depois de tantos passos, ver a confirmação da gestação é uma mistura intensa de alívio, alegria e gratidão.
Cerca de duas semanas após o resultado, realizamos a primeira ultrassonografia, que confirma a localização e a vitalidade do embrião. É um instante simbólico: o primeiro contato com um sonho em formação.
Sou ginecologista e especialista em Reprodução Humana, com atendimento presencial em São Paulo (SP) e também por telemedicina, para pacientes de outras cidades e do exterior. Fluente em inglês e espanhol, realizo acompanhamentos individualizados, com foco em altas taxas de sucesso, uso de tecnologia avançada e uma abordagem acolhedora e humanizada. Se você está vivendo o período de espera após a FIV e deseja compreender melhor o que acontece em cada etapa, agende uma consulta.
Com informação, cuidado e empatia, é possível atravessar essa fase com mais tranquilidade e celebrar, em breve, a alegria de um resultado positivo.
IMPORTANTE: Somente médicos devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. Agende uma consulta para maiores informações.
DRA. Paula Ferreiro
Dra. Paula Ferreiro é uma ginecologista especialista em fertilidade que valoriza confiança e informação. Sua abordagem leve e acolhedora transforma consultas em ambientes agradáveis.
CRM 129376-SP - RQE 69318
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