Postado por Dra. Paula Vieira
A decisão de realizar ou não a biópsia embrionária, também conhecida como PGT-A (Teste Genético Pré-Implantacional para Aneuploidias), costuma gerar muitas dúvidas entre casais que estão passando por tratamentos de fertilização in vitro. Em meio a informações técnicas, relatos na internet e expectativas emocionais elevadas, é comum que pacientes se perguntem se o PGT-A realmente aumenta as chances de gravidez, para quem ele é de fato indicado e qual é o impacto financeiro dessa decisão, especialmente em São Paulo, onde existem diferentes laboratórios e tecnologias disponíveis.
Compreender o papel real da biópsia embrionária exige separar promessas irreais de benefícios comprovados, sempre levando em conta o perfil individual de cada paciente.
O PGT-A é um exame genético realizado em embriões obtidos por fertilização in vitro. Ele avalia o número de cromossomos das células embrionárias, identificando embriões euploides, ou seja, com número cromossômico adequado, e embriões aneuploides, que apresentam alterações cromossômicas incompatíveis com a implantação ou com o desenvolvimento saudável da gestação.
A biópsia é realizada, em geral, no estágio de blastocisto, por volta do quinto ou sexto dia de desenvolvimento embrionário. Nesse momento, algumas células do trofectoderma, que futuramente formarão a placenta, são cuidadosamente retiradas para análise genética, sem interferir diretamente na massa celular interna, que dará origem ao bebê.
Esse exame não avalia todas as doenças genéticas possíveis, mas é direcionado especificamente à detecção de alterações no número de cromossomos, que estão entre as principais causas de falhas de implantação, perdas gestacionais precoces e insucesso nos ciclos de fertilização in vitro.
A principal causa de insucesso em tratamentos de fertilização in vitro, especialmente em mulheres acima dos 35 anos, está relacionada à qualidade genética dos óvulos. Com o avanço da idade, aumenta progressivamente a proporção de óvulos com alterações cromossômicas. Isso se reflete diretamente na formação de embriões aneuploides.
Essas alterações geralmente impedem a implantação do embrião no útero ou levam à interrupção precoce da gestação. Em situações mais raras, podem resultar em gestações evolutivas associadas a síndromes cromossômicas.
O PGT-A surge justamente como uma ferramenta para identificar quais embriões têm maior chance de resultar em uma gestação saudável, permitindo uma seleção embrionária mais precisa.
O PGT-A não é um exame obrigatório em todos os tratamentos de FIV e nem deve ser encarado como uma garantia de sucesso. Sua indicação precisa ser criteriosa e individualizada.
De forma geral, a biópsia embrionária costuma ser mais indicada em mulheres com idade materna avançada, especialmente a partir dos 37 a 38 anos, quando a taxa de embriões aneuploides aumenta de forma significativa. Também pode ser considerada em casos de perdas gestacionais de repetição, falhas repetidas de implantação, mesmo com embriões morfologicamente bons, e em situações de baixa reserva ovariana associada à idade.
Em casais que produzem um número maior de embriões, o PGT-A pode ajudar a reduzir o número de transferências necessárias até a obtenção de uma gestação, tornando o processo mais objetivo.
Por outro lado, em mulheres jovens, com bom prognóstico e poucos embriões disponíveis, o benefício do PGT-A pode ser limitado. Nesses casos, a decisão deve ser cuidadosamente discutida, considerando riscos, benefícios e impacto emocional.
Um dos maiores equívocos relacionados ao PGT-A é a ideia de que ele aumenta as taxas globais de gravidez em todos os casos. O que o exame faz, na prática, é aumentar a taxa de sucesso por transferência embrionária, reduzindo a chance de transferir um embrião com alteração cromossômica.
Isso significa que o PGT-A pode reduzir o número de transferências necessárias até que se alcance uma gestação evolutiva, além de diminuir o risco de perdas gestacionais precoces. No entanto, o exame não cria embriões saudáveis onde eles não existem. Caso todos os embriões sejam aneuploides, o PGT-A apenas fornecerá essa informação de forma mais clara e objetiva.
Em mulheres mais velhas, o impacto tende a ser mais relevante, pois a proporção de embriões cromossomicamente alterados é maior. Já em mulheres jovens, a taxa natural de embriões euploides já é elevada, o que torna o ganho adicional do PGT-A mais discreto.
É fundamental abordar o PGT-A com honestidade e cautela. Embora seja uma ferramenta importante, ele não garante a ocorrência de gravidez nem elimina completamente o risco de perdas gestacionais. Outros fatores, como a receptividade endometrial, a saúde uterina, os fatores imunológicos e as condições clínicas da paciente, continuam exercendo papel fundamental no sucesso do tratamento.
Criar expectativas irreais em torno do exame pode gerar frustração emocional importante, especialmente quando o resultado mostra que não há embriões geneticamente adequados para transferência.
Quando realizada por laboratórios experientes, a biópsia embrionária é considerada segura e não compromete o potencial de implantação do embrião. A técnica evoluiu muito nos últimos anos, e os protocolos atuais são altamente refinados.
Ainda assim, trata-se de um procedimento que exige extrema precisão técnica, tanto na realização da biópsia quanto na análise genética. A escolha do laboratório faz diferença direta na confiabilidade do resultado.
Em São Paulo, os custos do PGT-A variam de acordo com o laboratório, a tecnologia utilizada e o número de embriões analisados. Geralmente, o valor envolve duas etapas principais: o procedimento de biópsia embrionária e a análise genética propriamente dita.
O investimento costuma ser significativo e deve ser discutido de forma transparente antes do início do tratamento. Mais importante do que comparar preços é entender a qualidade do laboratório, a experiência da equipe e a metodologia utilizada na análise genética.
O custo precisa ser avaliado dentro de um contexto mais amplo, considerando se o PGT-A pode reduzir o número de ciclos, transferências e o desgaste emocional ao longo do tratamento.
Nem toda paciente se beneficia da biópsia embrionária, e sua indicação não deve ser automática. Avaliar idade, histórico reprodutivo, número de embriões disponíveis e expectativas do casal é essencial para decidir se o PGT-A faz sentido em cada situação.
A medicina reprodutiva moderna caminha cada vez mais para decisões personalizadas, baseadas em evidências científicas e no perfil individual de cada paciente, e não em protocolos padronizados.
A indicação correta do PGT-A exige conhecimento técnico profundo e experiência clínica. Saber quando indicar e quando evitar o exame é tão importante quanto dominar a técnica em si.
A Dra. Paula Vieira é ginecologista especialista em reprodução humana, com atuação reconhecida em tratamentos de alta complexidade e no acompanhamento de casos que envolvem decisões delicadas, como a realização da biópsia embrionária. Sua prática clínica alia rigor científico, atualização constante e um atendimento acolhedor, que respeita a individualidade e o momento emocional de cada paciente.
A Dra. Paula realiza atendimento presencial em São Paulo – SP e atende pacientes de outras cidades do Brasil e do exterior por telemedicina. É fluente em inglês e espanhol. Para quem deseja entender se o PGT-A é indicado no seu caso específico, uma consulta individualizada é fundamental para tomar decisões seguras, realistas e alinhadas às suas expectativas reprodutivas.
IMPORTANTE: Somente médicos devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. Agende uma consulta para maiores informações.
DRA. Paula Ferreiro
Dra. Paula Ferreiro é uma ginecologista especialista em fertilidade que valoriza confiança e informação. Sua abordagem leve e acolhedora transforma consultas em ambientes agradáveis.
CRM 129376-SP - RQE 69318
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